Extinção dos dinossauros segundo o CRIACIONISMO

A revista Conexão 2.0 trouxe um artigo mostrando a visão criacionista para a extinção dos dinossauros. Veja que interessante:

Talvez seja o tamanho deles, já que são os maiores animais terrestres conhecidos. Quem sabe o que nos chama a atenção seja a singularidade desses bichões. Ou ainda os mistérios que envolvem sua origem e extinção. O fato é que os dinossauros fascinam desde as crianças que jogam games dos lagartos gigantes até os cientistas que dedicam toda a vida para o estudo de fósseis e a reconstituição do cenário em que esses animais viveram.

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Quando os dinos se tornaram sauros

O termo foi usado pela primeira vez em 1841, por um professor de ciências da Inglaterra chamado Richard Owen.2  Ele mencionou esse nome ao falar aos cientistas da 11ª Assembleia da Associação Britânica para o Progresso da Ciência sobre os vestígios desses animais. Dinossauro vem de dois vocábulos gregos: deinos (terrível) e sauros (lagarto).
Mas, antes de Owen, já havia outros relatos na literatura científica sobre ossos de animais gigantescos que poderiam ser classificados como os primeiros restos encontrados dos dinossauros. Um ensaio de história natural publicado em 1677 por Robert Plot, um professor da Universidade de Oxford, parece ser o primeiro registro sobre os dinos. Plot acreditava que os ossos eram de um grande elefante.
Porém, os avanços na identificação dos ossos viriam somente no fim do século 18, em Paris, com as observações de Georges Cuvier, um dos precursores da anatomia comparada.3 A descoberta de fósseis, por sua vez, teria seu boom mais tarde, no século 19, como um efeito colateral da exploração de minérios e do recorte do solo para a construção de rodovias e ferrovias. A partir daí, os fósseis começaram a vir à tona.

Pegadas no tempo

Depois de 200 anos, temos um número razoável de fósseis de dinossauros. Só para se ter uma ideia, hoje há indícios da existência deles em todos os continentes, incluindo a Antártida. As maiores concentrações de vestígios estão nos Estados Unidos, Argentina, Espanha, França, Rússia, China, Mongólia e Norte da África.4 A existência dos dinossauros não é só testemunhada por ossos isolados, mas por pegadas, impressões de peles, cálculos viscerais, cascas de ovos, embriões e ninhos.5 
A universalidade dos rastros dos dinossauros também é confirmada pelos habitats extremamente variados nos quais os fósseis foram encontrados, como margem de rios, praias, florestas, pântanos e desertos. Os esqueletos desses bichões expostos nos museus mais importantes do mundo, via de regra, são dignos de confiança. O problema são as especulações apresentadas pelos documentários quanto à cor da pele, fisiologia e comportamento dos grandes lagartos.
Até o início dos anos 1990, década em que os estudos sobre os dinossauros se aprofundaram, havia poucos dados sobre várias espécies. Dos 285 tipos catalogados, 45% tinham sido identificados com base em apenas um osso. E apenas dez gêneros contavam com 40 exemplares para estudo.6 Por causa dessa carência de espécimes para análise, pesquisadores e leigos manifestam certa desconfiança com as descrições sugeridas para alguns gêneros que podem estar mais baseadas em suposições do que em fatos. O que há de certo, porém, é que o considerável material até aqui encontrado mostra que os dinossauros eram muito diversos.

Dando nome aos dinos

Essa diversidade é exemplificada pelo porte dos animais, hábitos alimentares e constituição óssea. Ao que tudo indica, a maioria dos dinossauros era herbívora. No grupo dos carnívoros, o cardápio pode ter variado entre pequenos animais, peixes e outros dinossauros.Quanto ao tamanho, havia de todos os portes. Desde o gigante brontossauro, com seus 21 metros de comprimento e 70 toneladas de peso,até o pequeno compsognathus, bicho do tamanho de um galo.9
Apesar de carregarem no nome o parentesco com os lagartos, o estudo mais detalhado dos fósseis mostrou que os dinossauros são um grupo peculiar de animais, bem diferente dos mamíferos e répteis. O crânio dos sauros apresenta orifícios distintos, o tornozelo é composto de uma junta única e as pernas são eretas, diferentemente dos lagartos.10
Mas o que distingue internamente as espécies do grupo são os ossos da bacia. Os que têm a estrutura óssea do quadril mais parecida com a das aves recebem o nome de ornitisquianos e os que se assemelham aos répteis são chamados de saurisquianos. Nesses dois grandes grupos ainda existem subdivisões que são determinadas pelo desenho das patas, tipo de couraça e a presença ou não de chifres.11

Elo que não se fecha

A semelhança óssea do púbis dos dinossauros com o dos répteis e das aves é um dos fatores que têm levado muitos evolucionistas a deduzir que os dinos seriam os ancestrais dos pássaros no processo evolutivo. Alguns fósseis descobertos recentemente na China apresentam filamentos que, para um grupo de cientistas, são evidências de penas. Porém, essas estruturas não se parecem com penas de voo comuns, o que deixa a questão ainda em aberto.12
Mas um dos elementos mais intrigantes nesse assunto é o famoso archaeopteryx, fóssil que é objeto de discussão desde sua descoberta em 1861. Ele apresenta um misto de características das aves, dos répteis e dos dinossauros terópodes. Tem penas aparentemente modernas, ossos ocos, além de dedos e púbis semelhantes aos das aves. Tomografias computadorizadas revelaram que os lobos do seu cérebro também são semelhantes aos das aves. Porém, o mesmo exame mostrou resultado igual para os pterossauros (dinossauros voadores) e a observação de aves como o calau terrestre indica que ter ossos ocos não é garantia de voo eficaz.
O ponto é que não há um consenso entre os evolucionistas se o archaeopteryx foi um dinossauro alado, uma ave, ou nenhum dos dois. Já para os criacionistas, em primeiro lugar, a presença de penas não é, necessariamente, evidência do salto evolutivo de dinossauro para ave. Até porque as penas não precisam ser encaradas como exclusividade das aves.
Outro tópico que os criacionistas questionam é o princípio da funcionalidade no processo evolutivo. Se a funcionalidade para a sobrevivência é o objetivo da seleção natural e mote da evolução, por que demoraria tanto para as penas e asas da estrutura sofisticada do archaeopteryx terem utilidade plena de voo?13 Por isso, alguns criacionistas se arriscam a dizer que o archaeopteryx foi uma criatura singular, com características que impedem sua classificação em qualquer categoria atual de seres vivos.14 Essa singularidade pode ser vista em animais como o ornitorrinco, que parece ser uma mistura de mamífero e ave.
A discussão é tão acalorada que, no ano passado, na Coreia do Sul, por pressão de entidades criacionistas, o ministério da educação local cogitou aprovar a retirada de imagens do archaeopteryx dos livros do Ensino Médio que apontavam o animal como um ancestral do cavalo. Vale lembrar que na Coreia do Sul, onde as crianças passam sete horas por dia na escola, uma pesquisa de 2009 constatou que um terço dos habitantes não acredita na teoria evolucionista, 41% deles por considerarem insuficientes os argumentos para a evolução.15

Quando viveram?

Insuficientes também são as evidências para datar o reinado dos dinossauros sobre a Terra de 250 a 65 milhões de anos atrás, período que na coluna geológica evolucionista vai do triássico ao cretáceo. Até hoje, os cientistas batem cabeça tentando explicar por que os dinos surgiram e sumiram do registro fóssil como num passe de mágica. Se eles derivaram de animais mais simples, isso deveria estar registrado na coluna geológica. E, se foram extintos por uma grande catástrofe, outros animais mais frágeis e contemporâneos a eles, como pequenos répteis, anfíbios e peixes possivelmente teriam sido riscados do mapa também.16
Outra dificuldade enfrentada pelos evolucionistas é explicar como os dinossauros herbívoros encontrados no registro fóssil – a maioria deles não comia carne – conseguiam se alimentar com a quantidade limitada de plantas descoberta com eles. Para os criacionistas, a resposta está na interpretação de que as camadas geológicas não apontam para períodos sucessivos, mas contemporâneos. Elas não teriam sido formadas ao longo de milhões de anos, mas na mesma época, como resultado da mesma catástrofe universal.17
Ou seja, tentar reconstituir o habitat dos dinos pegando como base apenas os três estratos geológicos em que eles aparecem limitaria nossa visão. Em vez de os animais habitarem em eras sucessivas o mesmo ambiente, a interpretação criacionista é que o mesmo ambiente foi habitado por uma grande variedade de animais simultaneamente.
Isso soa razoável quando são comparados o ecossistema em que os dinossauros viveram com o que temos hoje. Cada um deles tem seus herbívoros como o triceratope e o rinoceronte; animais de pescoço longo que se alimentam da copa das árvores, como os saurópodes e as girafas; comedores de carne como o alossauro e os leões; além dos animais voadores como os pterossauros e as aves.18

Dentro ou fora do barco?

Na visão criacionista, os dinossauros foram criados por Deus há poucos milhares de anos (Gn 1:24, 25), alguns deles se tornaram ferozes e carnívoros após a queda moral da humanidade (Gn 3:14-19), conviveram com o ser humano e com os tipos básicos das espécies modernas de animais, e boa parte deles ou todos eles foram extintos em massa numa catástrofe universal, chamada na Bíblia de dilúvio (Gn 7:22).
Apesar de essa ideia arrancar risos dos evolucionistas, os criacionistas acreditam que dinossauros e humanos conviveram por, no mínimo, centenas de anos. É verdade que não há nenhuma evidência científica favorável a essa teoria, mas também não temos fatos que a tornem irrazoável. Para muitos, isso é considerado improvável, porque não conseguem se imaginar fazendo um safari de carro aberto por uma área tomada por tiranossauros rex.
O ponto é que nem todo dinossauro era carnívoro e gigantesco. Das 58 famílias dos dinos, 31 tinham membros que não passavam dos seis metros de comprimento, ou seja, o tamanho de um elefante africano.19 Sendo assim, metade deles poderia ter entrado na grande embarcação construída pelo patriarca Noé (Gn 7:1-9). Mas acreditar nisso, evidentemente, é uma questão de fé e não de ciência.

A catástrofe

Se faltam indícios da convivência entre humanos e dinossauros, o mesmo não acontece sobre a extinção dos sauros. Há décadas, os evolucionistas debatem sobre a validade ou não de dezenas de teorias para o sumiço dos dinos. As explicações vão desde um rompimento na cadeia alimentar até a evolução dos dinossauros para aves. 20
No entanto, a teoria mais aceita e que ganhou força nos anos 1980 foi a do meteoro. Essa hipótese se popularizou especialmente depois de 1991, quando foi descoberta uma cratera de quase 300 km de diâmetro na península de Yucatán, no Golfo do México.21 A explicação é que um meteoro teria gerado uma grande nuvem de poeira, que acabaria impedindo a luz do sol de esquentar a superfície da Terra e espalhando alta toxicidade no ar e na água.
Os criacionistas não descartam o impacto de meteoros, as ações vulcânicas, nem a emissão de gases tóxicos, mas relacionam esses fenômenos a uma grande inundação. Há algumas razões para isso, além da descrição bíblica. A primeira é que os dinossauros costumam aparecer no registro fóssil com a boca semiaberta, a cabeça para trás e a cauda em curva. Dando a ideia de que morreram na água ou por sufocamento.22
Outro fato que intriga é que muitos fósseis foram encontrados em verdadeiros “cemitérios” de dinossauros, nos quais foram achados até milhares de animais, jovens e velhos. Um vestígio de extinção em massa. As formações geológicas de Alberta, no Canadá, são um exemplo. Lá foram localizados 80 centrossauros. Um número pequeno comparado aos 10 mil maiassauros encontrados pela equipe de Jack Horner, em 1984, em Montana (EUA). Os indícios apontam que a “manada” de maiassauros foi enterrada por sedimentos vulcânicos.23 Os maiores “cemitérios” estão nos Estados Unidos (Colorado, Utah, Wyoming), Canadá, Espanha, China e Mongólia.
Além disso, em 2010, pesquisadores acharam no leste da China três mil pegadas fossilizadas de seis espécies diferentes de dinossauros que corriam na mesma direção. Elas variavam de 10 a 80 cm e foram deixadas por animais como o tiranossauro, o hadrossauro e o celurossauro. Apesar de as hipóteses de migração ou fuga de predadores ser cogitada,24 o que chama a atenção é que espécies diferentes dificilmente migrariam juntas e uma manada de três mil animais precisaria ser acuada por um número considerável de predadores para ter a fuga como solução. De acordo com a visão criacionista, esse grupo poderia estar fugindo de uma inundação, tendo em vista que é preciso água e lama para uma pegada ser fossilizada.

Lacunas

Mas, do ponto de vista científico, do lado criacionista ainda existem muitas lacunas, o que pode dar espaço para alguns mitos ou afirmações duvidosas. Um desses erros ou precipitações foi a suposta descoberta de pegadas humanas e de dinossauros próximas ao Rio Paluxy, no Texas (EUA). Os rastros de dinossauros foram confirmados como autênticos, mas as pegadas humanas eram fruto da erosão, já que um corte transversal não indicou que as marcas receberam peso equivalente ao de um homem.
A credibilidade dos criacionistas só não ficou mais comprometida porque um grupo do Geoscience Research Institute, entidade mantida pela Igreja Adventista do Sétimo Dia na Califórnia, foi que analisou in loco as pegadas e descartou a descoberta como uma evidência da convivência entre homens e dinossauros.25 As pinturas rupestres que apontariam para a convivência de humanos e dinos também ainda não foram comprovadas. Vale lembrar que a ausência momentânea de evidências não quer dizer que elas não existam.
Outro ponto em que os criacionistas são questionados e até ridicularizados é se o grande barco construído por Noé teria espaço para abrigar os dinossauros. Em tese, a arca descrita na Bíblia poderia receber boa parte dos dinos, já que a maioria deles tinha o tamanho de um elefante moderno. Ademais, Noé poderia ter levado pares de filhotes, o que economizaria espaço. Mas como a existência da arca até aqui não encontra respaldo científico, os pesquisadores criacionistas preferem trabalhar com a posição de que grande parte ou todos os dinossauros foram extintos no dilúvio.
A maioria dos estudiosos criacionistas também vê com cautela os relatos ocasionais de supostos achados de dinossauros modernos que vivem na Escócia, África ou no oceano. Segundo eles, até aqui os relatórios parecem não ter comprovação. Não há certeza também sobre a possível relação entre os dinossauros e dois grandes e temidos animais citados na Bíblia: o behemoth (Jó 40:15-18) e o leviathan (Jó 41:1). A desconfiança de alguns é que esses nomes poderiam estar se referindo a outros animais de grande porte como crocodilos e hipopótamos, e não aos dinossauros.26

Silêncio e fascínio

Para os que acreditam na Bíblia como um livro sagrado e historicamente confiável, a possível não menção e identificação dos dinossauros em suas páginas não é razão para perder a fé ou desestimular a pesquisa científica. Ao contrário, o fascínio despertado pelo silêncio e o mistério podem ser mais um elemento a impulsionar os estudos criacionistas sobre o tema. Sobram lacunas nas explicações evolucionistas e criacionistas sobre a origem e extinção dos dinossauros. Porém, o que não pode faltar para ambos os lados é cautela diante do conhecimento limitado que temos desses incríveis animais e honestidade na interpretação das evidências disponíveis.

Cemitérios dos dinos

Fósseis de dinossauros já foram encontrados em todos os continentes, inclusive na Antártida. As maiores concentrações de restos mortais estão nos Estados Unidos, Argentina, Espanha, França, Rússia, China, Mongólia e Norte da África.C+: Os fósseis são as testemunhas da pré-história. Só que ao contrário do que muitos pensam, eles são formados rapidamente e não ao longo de milhões de anos.
Referências

1 Elaine Kennedy, “Os intrigantes dinossauros”, em Diálogo Universitário, n. 2, 1993, p. 11.
2 Alexander vom Stein, Criação (SCB, 2005), p. 108.
3 Ruben Aguilar, Miscelânea (Ados, 2003), p. 24.
4 Raul Esperante, “Como Situar os Dinossauros no Contexto Bíblico?”, em L. James Gibson e Humberto M. Rasi, Mistérios da Criação (CPB, 2013), p. 135.
5 Elaine Kennedy, Diálogo Universitário, n. 2, 1993, p. 9.
6 Elaine Kennedy, “Perguntas e respostas sobre os dinossauros”, em Diálogo Universitário, n. 3, 2006, p. 9-12.
8 Ruth Wheeler e Harold G. Coffin, Os Dinossauros, (CPB, 2007), p. 34.
9 Raul Esperante, Mistérios da Criação, p. 135.
10 Elaine Kennedy, Diálogo Universitário, n. 3, 2006, p. 9-12.
11 Alexander vom Stein, Criação, p. 109.
13 Raul Esperante, “Archaeopteryx: um réptil voador?”, em Diálogo Universitário, 2005, n. 1, p. 32-33.
15 “South Korea surrenders to creationist demands”, de 5 de junho de 2012, no site da revista Nature.
16 Raul Esperante, Mistérios da Criação, p. 137.
17 Elaine Kennedy, Diálogo Universitário, n. 2, 1993, p. 9.
18 Kurt P. Wise, “Noah’s World—Same Time, Different Place”, em Answers, de 26 de setembro de 2011.
19 Elaine Kennedy, Diálogo Universitário, n. 2, 1993, p. 10.
20 Elaine Kennedy, Diálogo Universitário, n. 3, 2006, p. 9-12.
21 Michelson Borges, A História da Vida (CPB, 2011), p. 101.
22 “Dinossauros tiveram uma morte em agonia”, em site da Folha S. Paulo, 10 de junho de 2007.
23 Elaine Kennedy, Diálogo Universitário, n. 2, 1993, p. 10.
24 “Cientistas acham 3 mil pegadas de dinossauro na China”, publicação de 6 de fevereiro de 2010 no site da BBC Brasil.
25 Berney Neufeld, “Dinosaur tracks and giant men”, em Origins 2, 1975, p. 64-76.

 

 

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